Posso tomar remédio para dormir na noite do exame do sono?

a regra geral é simples: nada se suspende e nada se acrescenta por conta própria na noite do exame do sono. Se você já usa um medicamento prescrito para.

Resposta rápida: a regra geral é simples: nada se suspende e nada se acrescenta por conta própria na noite do exame do sono. Se você já usa um medicamento prescrito para dormir, quem decide se ele será mantido naquela noite é o profissional que o prescreveu, avisado com antecedência. Tomar algo novo só para “garantir” uma boa noite é o erro mais comum, e pode alterar justamente o que o exame quer medir. Álcool na véspera entra na mesma conversa. Comunicar tudo o que foi usado é mais importante do que a noite ter sido perfeita.

Posso manter o remédio que já tomo para dormir?

Na maioria das vezes, sim, e essa costuma ser a decisão mais sensata. Um exame do sono domiciliar existe para retratar a sua noite habitual. Se a sua noite habitual inclui um medicamento prescrito e usado de forma regular, retirá-lo cria uma noite artificial, que não representa aquilo que se quer investigar.

O que muda essa conclusão é o caso concreto. Existem situações em que o profissional prefere avaliar a respiração sem determinado fármaco, e existem situações em que ele prefere manter tudo exatamente como está. Essa decisão depende de qual substância é, há quanto tempo você usa, por que foi prescrita, do restante do seu quadro de saúde e do que se pretende responder com o exame.

Por isso a resposta prática não é “pode” nem “não pode”: é avisar antes. Leve a lista completa do que você usa quando for agendar ou retirar o aparelho, e confirme a conduta com quem prescreveu. Os critérios que definem quando o exame domiciliar é indicado estão descritos na página sobre o teste do sono realizado em Londrina.

Por que essa dúvida importa tanto justamente nesse exame?

Porque o exame do sono não mede um valor estável, como uma glicemia de jejum. Ele mede um comportamento fisiológico ao longo de várias horas, e esse comportamento é sensível ao estado do sistema nervoso central naquela noite específica.

Boa parte das substâncias usadas para induzir sono age deprimindo a atividade do sistema nervoso central. Isso pode afetar o tônus dos músculos que mantêm a via aérea superior aberta e pode afetar a facilidade com que a pessoa desperta diante de uma queda de oxigênio. São exatamente os dois mecanismos que o exame observa.

Há ainda um segundo motivo, menos técnico e igualmente relevante: a variabilidade natural entre noites. Estudos que compararam registros de noites diferentes na mesma pessoa mostram oscilação significativa dos índices respiratórios, a ponto de mudar a classificação de gravidade em uma parcela dos casos. Se a noite já varia sozinha, acrescentar uma variável nova sem registrar isso só piora a leitura.

O que sedativos podem mudar na respiração durante o sono?

A tabela abaixo resume, em linhas gerais, por que cada grupo entra na conversa antes do exame. Ela serve para você entender o raciocínio, e não para decidir sozinho. Nenhuma dessas categorias deve ser iniciada, trocada ou interrompida sem avaliação profissional.

Categoria Por que costuma ser discutida antes do exame Conduta razoável
Hipnóticos e ansiolíticos de prescrição Podem reduzir o tônus da musculatura da via aérea e elevar o limiar de despertar Manter ou não conforme decisão de quem prescreveu, e registrar o uso
Antidepressivos com efeito sedativo Uso contínuo, retirada abrupta traz risco maior que o benefício de uma noite Em geral se mantém a rotina, com aviso ao serviço
Anti-histamínicos que causam sonolência Muitas vezes usados por conta própria, sem que o paciente considere medicamento Informar, mesmo que pareça irrelevante
Relaxantes musculares Ação sobre musculatura e sedação associada Informar horário e motivo do uso
Analgésicos opioides Podem influenciar o padrão respiratório central durante o sono Sempre informar, sem alterar por conta própria
Álcool Efeito agudo sobre via aérea e sobre a arquitetura do sono Evitar na véspera, salvo orientação diferente

Repare que a coluna da direita quase nunca diz “suspender”. Isso não é acaso. O risco de mexer sozinho em um esquema estável costuma ser maior do que o benefício de obter uma noite teoricamente mais limpa.

O que realmente não se deve fazer

Tomar, na noite do exame, algo que você não usa habitualmente. Seja um comprimido que sobrou de outra pessoa, seja um remédio antigo do armário, seja uma dose extra do que você já usa. Isso transforma o exame em retrato de uma noite que não existe na sua vida e ainda cria risco desnecessário. Se a ansiedade com o exame está grande, diga isso ao serviço antes.

Suspender por conta própria pode ser pior do que manter?

Pode, e por dois caminhos. O primeiro é clínico: algumas substâncias de uso contínuo não devem ser interrompidas abruptamente, e a retirada por conta própria pode gerar efeitos indesejados que vão muito além de uma noite mal dormida. Quem prescreveu conhece esse detalhe, você não tem como avaliá-lo sozinho.

O segundo é técnico. Quem interrompe o indutor de sono na véspera frequentemente passa a noite acordado. No exame domiciliar isso é um problema concreto, porque o aparelho não distingue sono de vigília e trabalha com o tempo total de registro. Muitas horas deitado e acordado tendem a diluir os eventos respiratórios e a puxar o índice para baixo, produzindo um resultado que subestima o quadro.

O resultado prático é o pior dos dois mundos: risco de abstinência e um exame menos confiável. A discussão sobre o que fazer quando a noite não sai como esperado está em dormi mal na noite do exame do sono.

E uma taça de vinho na noite anterior, atrapalha?

Álcool é o item mais subestimado dessa lista, porque quase ninguém o considera parte do preparo. Revisões sistemáticas que reuniram estudos sobre consumo agudo de álcool e respiração durante o sono descrevem efeito sobre parâmetros respiratórios noturnos, incluindo a oxigenação, e associação entre consumo e risco de apneia do sono.

Além disso, o álcool encurta o tempo até adormecer e depois fragmenta a segunda metade da noite. Ou seja, ele muda a estrutura da noite inteira, e não apenas o começo dela. Uma noite regada a álcool não é a sua noite típica, mesmo que você beba com alguma frequência.

A orientação usual é não beber na véspera do exame e manter a rotina alimentar habitual, sem jantar muito tarde nem muito pesado. Se por algum motivo você bebeu, não cancele nada por conta própria: informe na devolução do aparelho para que isso conste do contexto da noite.

E melatonina, chá e suplemento que não precisam de receita?

Não precisar de receita não significa ser neutro para o exame. O critério aqui é o mesmo dos medicamentos: se faz parte da sua rotina de todas as noites, tende a ser mantido; se seria estreia na noite do exame, não é hora de estrear.

Vale também um lembrete sobre expectativa. Melatonina atua principalmente sobre o horário do sono, o momento em que o organismo entende que é hora de dormir, e não é um sedativo potente nem um tratamento para apneia. Fitoterápicos e chás com ação calmante seguem a mesma lógica, com a complicação de que a composição varia bastante entre produtos e ninguém fica sabendo exatamente o que foi ingerido.

Cafeína merece atenção separada. Café, chá preto, chá verde, mate, refrigerante à base de cola, energético e chocolate amargo têm cafeína, e o efeito dura horas. Manter o consumo habitual até o meio da tarde e evitar depois disso é o mais próximo de uma noite representativa. Cortar cafeína completamente em quem toma café todos os dias também cria uma noite atípica, então o objetivo é normalidade, não pureza.

Como conversar com quem prescreveu antes da noite do exame?

Uma mensagem curta e objetiva resolve. Diga que vai fazer um exame domiciliar do sono, informe a data, liste tudo o que usa com horário aproximado e pergunte diretamente se algo deve ser alterado naquela noite. Peça a resposta por escrito, porque na noite do exame você não vai lembrar dos detalhes.

Inclua na lista o que costuma ficar de fora: antialérgico, remédio para dor, descongestionante nasal, colírio, suplemento, fitoterápico, canabidiol se houver prescrição, e qualquer coisa usada apenas quando necessário. Descongestionante nasal e obstrução nasal, aliás, são informações relevantes por si só em um exame que mede fluxo de ar pelo nariz.

Se você usa dispositivo intraoral, faz uso de oxigênio domiciliar ou já usa aparelho de pressão positiva, isso precisa ser dito no agendamento, não na hora da retirada. A escolha entre exame domiciliar e estudo de laboratório também depende desses dados, tema tratado em polissonografia ou exame domiciliar do sono.

E se eu não conseguir dormir de jeito nenhum?

Primeiro, não force. Ficar horas deitado tentando dormir com o aparelho é justamente o cenário que produz registro pouco aproveitável. Levantar, ficar em ambiente com pouca luz, fazer algo monótono e voltar quando o sono aparecer é preferível, e você pode levantar sem tirar os sensores.

Segundo, não desligue o aparelho e não improvise. Deixe gravando, anote mais ou menos os horários em que ficou acordado e relate na devolução. Um exame com poucas horas válidas pode precisar de repetição, e isso é apenas uma questão técnica, sem significado clínico.

Terceiro, se a dificuldade para dormir é o seu problema principal, e não o ronco ou as pausas respiratórias, isso merece ser dito na consulta. Insônia crônica e apneia do sono coexistem com frequência, têm abordagens diferentes e podem exigir um caminho diagnóstico distinto do exame domiciliar simples.

Perguntas frequentes

Tomei meu remédio de sempre e agora fiquei em dúvida. Preciso repetir o exame?

Na maior parte das vezes não. O que resolve é informar o que foi usado e em que horário na devolução do aparelho, para que a informação conste do contexto do laudo. Quem avalia a necessidade de repetir é o médico que interpreta o exame.

Posso tomar um calmante só nessa noite para não estragar o exame?

Não é uma boa ideia. Introduzir uma substância nova exatamente na noite medida é o oposto do objetivo do exame, que é retratar a sua noite habitual, e nenhuma substância deve ser iniciada sem avaliação de quem pode prescrever.

Se eu suspender o indutor de sono, o exame fica mais confiável?

Não necessariamente. A suspensão por conta própria pode gerar uma noite quase inteira acordado, o que reduz o tempo de registro aproveitável e tende a subestimar os eventos respiratórios, além dos riscos da interrupção abrupta.

E se eu usar canabidiol ou algum fitoterápico prescrito?

Entra na mesma regra: informe no agendamento, não altere por conta própria e siga a orientação de quem prescreveu. O ponto não é julgar o que você usa, é registrar corretamente a noite avaliada.

Posso tomar café no dia do exame?

O objetivo é reproduzir um dia comum. Manter o consumo habitual pela manhã e evitar cafeína no fim da tarde e à noite é o padrão orientado. Cortar totalmente algo que você usa todos os dias também cria uma noite fora do normal.

Dr. Rafael Aismoto
Nutricionista e profissional de Educação Física

Revisado em agosto de 2026.

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